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Crise de ansiedade: o que acontece e como atravessar o momento
Há quem descreva assim: o coração dispara, falta ar, as mãos ficam frias, vem a sensação de que algo terrível está prestes a acontecer, sem que se saiba dizer o quê. A crise de ansiedade costuma chegar de repente e dar a impressão de que se está perdendo o controle, ou mesmo de que se vai morrer. Não se está. Por mais aterrorizante que seja, esse pico tem começo, meio e fim.
O que acontece no corpo durante a crise
No momento agudo, o corpo reage como se houvesse um perigo iminente, ainda que nada visível o justifique. A respiração acelera, o pensamento se estreita em torno do próprio susto, e o medo do medo alimenta a escalada. É um circuito que se retroalimenta: quanto mais se tenta forçar o fim da crise, mais ela parece se impor.
Algumas medidas simples ajudam a não entrar nessa espiral. Desacelerar a respiração, soltar o ar devagar, mais longamente do que se inspira. Nomear o que se passa: isto é uma crise, ela vai passar. Trazer a atenção a algo concreto e presente, um objeto, um som, o chão sob os pés. Nada disso “cura” a ansiedade; são modos de não se assustar com o próprio susto enquanto a onda passa.
Quando a onda passa, fica a pergunta
Atravessado o pico, costuma sobrar um vazio e uma pergunta: de onde veio isso? A psicanálise não trata a crise apenas como um defeito do organismo a ser desligado. Freud distinguiu o medo, que tem um objeto identificável, da angústia, mais difusa, que funciona como um sinal diante de algo que ameaça por dentro (FREUD, 1926). A crise muitas vezes é a face mais visível desse sinal.
O corpo grita o que ainda não encontrou palavra. A crise é assustadora, mas também é um endereçamento, algo em você pede para ser escutado.
Por isso, atravessar uma crise pontual e cuidar daquilo que a sustenta são duas coisas diferentes. Técnicas de respiração contêm o momento; não dizem por que ele veio, nem o que se repete. É na fala, ao longo do tempo, que se pode localizar o que angustia: o que, na sua vida, esse aperto está tentando endereçar.
Quando vale procurar ajuda
- Crises que se repetem e passam a organizar a vida em torno do medo de que voltem.
- Evitações que vão encolhendo o que você faz, frequenta ou deseja.
- Sintomas no corpo sem causa clínica encontrada, depois de avaliação médica.
- A sensação de que o aperto não tem nome, e ninguém parece escutar.
Procurar não é fraqueza nem urgência de “resolver”. É abrir um lugar onde a ansiedade deixe de ser só um peso mudo e possa, aos poucos, ganhar palavra. Conversar pode ser um começo.
Referências
- FREUD, Sigmund. Inibição, sintoma e angústia (1926). In: Obras completas, v. 17. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
Conteúdo informativo, embasado na literatura psicanalítica; não constitui diagnóstico nem substitui atendimento individual.