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Salvador (Itaigara) · atende online

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O que é a psicanálise lacaniana?

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Quando se procura uma terapia, é comum esperar um método que prometa retirar rápido aquilo que incomoda. A psicanálise faz uma aposta diferente. Ela parte da ideia de que existe um inconsciente, uma parte de nós que insiste, que escapa ao controle da vontade e que se manifesta nos sonhos, nos atos falhos, nas repetições e nos sintomas. Em vez de calar essas manifestações, ela propõe escutá-las.

Uma psicanálise orientada por Lacan

Freud fundou a psicanálise no início do século XX, trabalhando com a livre associação e a interpretação a partir da fala do paciente. Jacques Lacan, anos depois, propôs um retorno a Freud que devolveu à fala e à linguagem o lugar central da análise. Daí a célebre formulação de que o inconsciente é estruturado como uma linguagem.

Na prática, ser de orientação lacaniana significa levar a sério aquilo que você diz, inclusive, e sobretudo, o que escapa: o lapso, a palavra trocada, a frase que se repete sem que se perceba. É nesses pontos que algo do sujeito comparece, para além daquilo que ele pretendia dizer.

O sintoma como mensagem

Talvez a diferença mais importante esteja aqui. Para certas abordagens, o sintoma é um defeito a ser corrigido ou eliminado. Para a psicanálise lacaniana, ele é uma formação que tem sentido, uma mensagem cifrada que diz algo da história e do desejo de quem sofre.

Por isso não se trata de apagar o sintoma como quem corrige um erro, mas de escutar o que ele tenta dizer. Quando esse sentido começa a se desdobrar na fala, a relação com o próprio sofrimento pode se transformar, não por uma técnica aplicada de fora, mas por um trabalho do próprio sujeito.

O analista não interpreta no lugar de quem fala: ele sustenta um espaço onde a fala possa ir mais longe do que pretendia.

Escuta, demanda e desejo

Três palavras ajudam a situar essa clínica. A escuta não é um ouvir distraído: é uma atenção ao que insiste e ao que tropeça. A demanda é o pedido que se traz, “quero parar de sentir isso”, e que, ao longo das primeiras conversas, vai se revelando mais complexo do que parecia. E o desejo é aquilo que, muitas vezes, foi recoberto pela queixa e que a análise ajuda a recolocar em questão.

É por isso que a psicanálise lacaniana não trabalha com fórmulas, protocolos fixos nem promessas de resultado. Cada análise é singular porque cada sujeito é singular. O que se oferece é um lugar de escuta, sustentado pelo sigilo e pela ética profissional, onde aquilo que sofre possa ganhar palavra e, com isso, outras saídas.

Para quem é

Não é preciso “ter um problema grave” para fazer análise. Ela se dirige a quem deseja falar e elaborar aquilo que vive, do mal-estar difuso, que não se sabe nomear, às questões mais definidas. O começo costuma ser simples: uma conversa em que você fala do que o traz.

Referências

  • LACAN, Jacques. Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise (1953). In: Escritos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
  • ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

Conteúdo informativo, embasado na literatura psicanalítica; não constitui diagnóstico nem substitui atendimento individual.

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